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"Se Deus não existe, tudo é permitido."

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Ontem estava pensando nessa frase de Dostoievski e no que ela significa para mim, relacionando-a à presença latente de Deus em todo ser humano, pregada por Calvino. Partindo do pressuposto de que a religião é, basicamente, um tratado ético e moral, e que eu, como cristão, acredito que esse tratado é fruto de uma religiosidade (religião e religiosidade são coisas diferentes), de um relacionamento com Deus, de uma ascendência ética mosaica, posso dizer, certamente que Calvino estava certo (claro que existem outros pontos para afirmar isso, mas esse é um deles). Essa moral que no guia, que nos faz, conscientemente, discernir entre o certo e o errado.

Luiz Felipe Pondé diz, em uma análise da frase de Dostoievski: “Sem Deus, perde-se a forma absoluta do juízo moral: estamos sós no universo como animais ferozes que babam enquanto vagam pelo deserto e contemplam a solidão dos elementos.” Nossa ética, sem essa realidade divina, seria inexistente. Seu desenvolvimento não seria possível.

Eu, pessoalmente, me deparo com um problema ao pensar na inexistência de Deus. Acredito que, se Ele de fato não existisse, nada existiria. Mas pensando com outra lógica, a do afastamento do homem de Deus, por qualquer que seja o motivo, nos primórdios da humanidade, essa impossibilidade de desenvolvimento ético seria alcançada. Então, sem essa ética, tudo seria permitido.

Isso me leva a outra frase do escritor: “a beleza salvará o mundo.” As frases são complementares em si. A beleza é a ética, a moral, o bom ânimo, o serviço, a doação, a compaixão. A beleza é tudo aquilo que não estaria presente em um mundo sem Deus. A beleza é Cristo.

Nihil novi sub sole

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“O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.” (Eclesiastes 1:9-10)

Fico cada dia mais impressionado com a veracidade dessa afirmação. Esta mesma que Nietzsche se apropriou, criando seu Eterno Retorno.

Afirmação essa que se comprova em coisas como as derrotas de Napoleão e Hitler. Como a “moral” romana que retorna com toda a força (se é que sabem do que estou falando). Como o que Calvino afirmava: “Isto posto, é inteiramente gratuito o que se ouve de alguns, isto é, que a religião foi engendrada pela sutileza e argúcia de uns poucos, para com esta artimanha manterem em sujeição o populacho simplório, ao mesmo tempo em que, entretanto, nem os mesmo que foram os inventores da adoração de Deus para os outros creriam existir algum Deus.”¹ que hoje se repete claramente (isso se, desde lá, não se manteve). Argumentos não evoluem. A cada dia que passa, novas questões surgem, mas não passam de cópias do que outrora foi dito. E assim o ciclo continua, com questionamentos e respostas iguais.

A religião segue os passos da arte. Estamos vivendo sua fase pós-moderna, de culto ao indivíduo, de subjetividade, de perda de sentido real; ela perde sua técnica e move-se no emocional. O que um dia teve um sentimento verdadeiro, hoje se desfalece e segue em seu egocentrísmo cotidiano, em busca do paraíso perdido das bênçãos milagrosas. Um séquito que não questiona as próprias sensações e crenças e se ilude, acreditando que (embora não seja própria a culpa) o “Sabbath” é apenas um domingo e o domingo é só um dia que acontece apenas uma vez na semana. Um séquito que acredita piamente que Deus não diz “não”.

Que sensação de déjà vu.

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¹ Institutas de João Calvino, cap. III, tópico 2. [E a ABNT que se expluda (sim, essa é a conjugação certa).]

PS: sem inspiração para mais. Organizar pensamentos não é uma coisa fácil, pelo menos para mim.
PPS: Ah! Esqueci de uma citação importante:

This world is spinning around me
This world is spinning without me
Every day sends future to past
Every breath leaves one less to my last

(Pull me Under - Dream Theater)